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quinta-feira, 20 de junho de 2024

A importância da leitura, mas seu irritante mito de livros inteligentes

 A importância da leitura, mas seu irritante mito de livros inteligentes


Já ouvi, assisti e rodando pela internet é até comum ouvir canais de Youtube falando de leitura dinâmica, da importância da leitura, de seus claros benefícios cognitivos, do aumento do vocabulário, por ai vai. Como é vantajoso você ler 300 livros por ano dos mais variados assuntos, um deus da leitura dinâmica, mas me incomoda e muito dois pontos que pretendo desenvolver aqui. Leitura dinâmica rápida e a leitura (falsa, conceito errôneo, mentiroso) inteligente (que por sinal é o que mais me incomoda nesses vídeos).

A ideia aqui é conversa um pouco sobre de fato ler, por quê de ler? Existem meio de entretenimentos mais baratos e infinitos no mercado, a leitura no Brasil é porca, má desenvolvida nas escolas, pouco acesso, livros caros e ainda por cima não é lá a parada mais bem vista. Pais não dão livros pros filhos, dão trabalho de casa, quintal pra limpa e depois deixa ele se enfurna no tiktok como forma de recompensa, não há incentivo por parte dos pais pela leitura, no geral acham perca de tempo e as escolas dão Dom Casmurro pra moleque de 10 anos, defasando logo de inicio qualquer chance de interesse futuro. Num país tão difícil de se desenvolver a leituras pelos mais variados motivos, os reels, acesso fácil a internet com seus mais variados conteúdos irrelevantes, deixam o desenvolvimento aquém e cabe ao jovem busca interesse sozinho no meio em questão, algo difícil tendo em vista que pra assinar a Amazon Prime é vintão, compra um livro é 80R$.

Ai me surgem canais no Youtube querendo ensina você ler 300 livros por ano, usando sempre argumentos de comece lendo o que gosta, depois vá para leituras inteligentes, como assim, livros inteligentes? isso não faz sentido. Agora ensinam ler a base do ego, você não lê ou lê livros inteligentes, você é obrigado a ler coisas intelectuais se não é basicamente como não ler, ficção é bobeira, isso que moonshadow é agora? COM CERTEZA AFIRMO QUE NÃO!

Vamos lá, leitura dinâmica, o que é?

A leitura dinâmica é uma técnica de leitura que visa aumentar a velocidade e a compreensão do texto lido. Em vez de ler palavra por palavra, como fazemos normalmente, na leitura dinâmica você treina para processar grupos maiores de palavras de uma só vez. Isso geralmente é feito através de técnicas como subvocalização reduzida (ou eliminação), movimento rápido dos olhos pelo texto e foco na captura de ideias principais em vez de detalhes.

O objetivo principal da leitura dinâmica é permitir que você leia mais rapidamente sem comprometer a compreensão do conteúdo. É frequentemente utilizada por estudantes que precisam lidar com grandes volumes de material, profissionais que precisam processar muita informação rapidamente, e por qualquer pessoa que deseje otimizar seu tempo de leitura.

Geoge R.R Martin fala que gosta dos detalhes, os detalhes fazem a diferença, livros grande e mais denso demandam algo que a leitura dinâmica cospe na sua cara, você lê, só que por cima, dai essas mesma pessoas chegam e falam, leia livros inteligentes. Leia seus romance bobos, suas fantasias de começo, depois leia livros que mudem sua vida, leia álgebra, física, educação financeira... o resto não presta.

Mas porque álgebra é mais importante que um romance bobo? Obras de ficção então não agregam valores, somete livros feitos por profissionais da matemática?

Livros inteligentes (segundo as más línguas):

Livros de não ficção, filosofia, matemática, biologia, por ai vai. Livros de auto ajuda e livros mais complexo e denso como os de economia e educação financeira. Desagregando todo os valores simbólicos e históricos de leituras de ficção, fantasia e outros gêneros de romances á contos.

vou citar exemplos de livros de ficção tão ricos em conteúdos que agregam sua leituras tanto quanto filosofia e sociologia:


Duna, escrita por Frank Herbert, é uma obra de ficção científica que se destaca por seus ricos conteúdos em diversos aspectos. Herbert criou um universo ficcional extremamente detalhado, onde várias culturas interagem em um cenário interestelar. A história se passa em um futuro distante, onde o controle sobre o recurso mais importante da galáxia, a "especia" (melange), é central para o enredo.

 A trama de "Duna" é profundamente política, envolvendo casas nobres em um jogo de poder pelo controle do planeta desértico Arrakis e sua preciosa especiaria. As alianças, traições e manobras políticas são elementos essenciais da narrativa.
 
A obra explora temas religiosos e filosóficos complexos, incluindo profecias messiânicas, o papel dos líderes religiosos (Bene Gesserit), e a relação entre a mente humana e o universo.
O planeta Arrakis, com seu ambiente desértico extremo, é crucial para a história. Herbert discute a ecologia do planeta, suas adaptações biológicas e como esses elementos afetam a sociedade humana que ali habita.
Os personagens de "Duna" são multifacetados e enfrentam dilemas morais, desafios emocionais e conflitos internos que enriquecem a narrativa.
A obra questiona a natureza do poder, os limites da exploração humana e as consequências das decisões individuais e coletivas.

"Duna" não apenas é uma aventura épica, mas também uma exploração profunda de temas universais, tornando-a uma das obras mais influentes e reverenciadas da ficção científica.

 

Mais um exemplo, Blueberry: também conhecido como "Jean Giraud" ou "Moebius", é um dos quadrinistas mais influentes da história, especialmente no contexto da HQS europeia e mundial. 

Aqui estão algumas das razões pelas quais Blueberry é historicamente importante.

Blueberry introduziu um estilo visual único e inovador, marcado por linhas limpas, cenários detalhados e uso expressivo de cores. Moebius tinha um domínio excepcional da narrativa visual, criando sequências dinâmicas e atmosferas imersivas.

Contribuição para o Western: Em um gênero dominado principalmente por artistas americanos, Moebius trouxe uma perspectiva europeia única para o western com Blueberry. Ele subvertia convenções do gênero, explorando temas mais complexos e psicológicos.

Além da arte deslumbrante, as histórias de Blueberry eram ricas em profundidade emocional e temática. Moebius explorava questões como a moralidade, a natureza da violência e os conflitos humanos de maneira sofisticada e reflexiva.

Blueberry teve um impacto significativo fora da Europa, inspirando gerações de artistas e escritores de quadrinhos em todo o mundo. Seu estilo e abordagem narrativa foram adaptados e referenciados em diversas obras subsequentes.

Moebius como Ícone da Arte Sequencial: Jean Giraud, sob o pseudônimo de Moebius, não era apenas um artista de quadrinhos, mas um ícone da arte sequencial. Sua influência se estende além dos quadrinhos, alcançando a arte conceitual, o cinema e outras formas de mídia.

Em resumo, Blueberry (Jean Giraud/Moebius) é historicamente importante por sua contribuição inovadora para o mundo dos quadrinhos, sua redefinição do gênero western, sua narrativa profunda e sua influência duradoura na arte sequencial global.

 Mais um exemplo incrível que a fantasia sim tem tantas importância literária quanto "livros inteligentes": a Divina Comédia.


A Divina Comédia, escrita por Dante Alighieri no século XIV, é uma obra de importância histórica e cultural imensa, especialmente no que diz respeito à fantasia e à criação de mundos imaginários. 

A Divina Comédia é uma das primeiras obras importantes escritas em italiano vernáculo, primeira grande obra literária em italiano, ajudando a estabelecer essa língua como uma língua literária significativa, ao invés do latim que era predominante na época. Isso contribuiu para a unificação cultural da Itália.

O termo italiano vernáculo refere-se à língua italiana comum falada e escrita pelo povo, em contraste com o latim, que era amplamente utilizado na literatura e na escrita oficial durante a Idade Média na Europa. Vernáculo significa a língua nativa de um povo, em oposição a uma língua clássica ou estrangeira. Na época em que Dante Alighieri escreveu a Divina Comédia no século XIV, a maioria das obras literárias importantes eram escritas em latim. A Divina Comédia é significativa porque foi uma das primeiras grandes obras literárias a ser escrita em italiano vernáculo, tornando-se uma parte crucial na elevação do italiano como uma língua literária importante e estabelecendo-a como uma língua cultural unificadora na Itália. 

A obra é dividida em três partes principais: Inferno, Purgatório e Paraíso. Cada uma dessas partes apresenta um mundo imaginário detalhado e rico em simbolismo. Dante criou um universo fantástico com descrições vívidas e imaginativas dos diferentes níveis da vida após a morte.

A Divina Comédia teve um impacto profundo na literatura mundial, influenciando autores posteriores como, John Milton e até mesmo modernos como Jorge Luis Borges. Além disso, suas ilustrações inspiraram artistas ao longo dos séculos, contribuindo para a iconografia cristã e o imaginário cultural.



Dante explorou temas universais como a moralidade, o destino humano, a justiça divina e a condição humana. Sua jornada através dos diferentes reinos após a morte reflete uma busca espiritual e uma reflexão sobre a vida terrena.

A Divina Comédia não apenas influenciou a literatura e a arte, mas também desempenhou um papel na formação da identidade cultural e religiosa europeia. Suas representações do Inferno, Purgatório e Paraíso continuam a ser referências poderosas e fontes de inspiração para explorar temas de redenção, pecado e transcendência.

Em suma, a Divina Comédia é uma obra de importância histórica incomparável, não apenas pela sua contribuição à literatura italiana e mundial, mas também por seu impacto duradouro na criação de mundos fantásticos e na exploração profunda de temas humanos e espirituais.

Enquanto alguns podem argumentar que livros de não ficção ou acadêmicos são mais diretamente informativos ou educativos, é crucial reconhecer que a ficção também tem um papel vital na ampliação de horizontes, promovendo empatia e estimulando a imaginação de maneiras que livros mais "práticos" não conseguem.

Então youtubers lambe saco, em vez de se concentrar na quantidade ou no tipo de livros que se lê, é mais produtivo valorizar a diversidade de experiências e perspectivas que a leitura pode oferecer.

Cada livro tem algo único a contribuir para o desenvolvimento pessoal e intelectual, independentemente de ser rotulado como "inteligente" ou não.


Assim, ao invés de se preocupar com uma definição restrita de leitura "inteligente", devemos celebrar a riqueza e a diversidade de vozes literárias que enriquecem nossas vidas e expandem nosso entendimento do mundo e de nós mesmos. 

OBRIGADO POPR LER ATÉ AQUI E ATÉ A PROXIMA!!!

(PRETENDO FAZER UM POST POR SEMANA).





 
 

Um comentário:

  1. É uma pena que no Brasil o acesso a livros seja algo tão "restrito" Por ser algo "caro" Muitas vezes inacessível para várias famílias na maioria das vezes as crianças só tem acesso a livros nas escolas, e geralmente vão perdendo o interesse pela Escola só empurrar livros "" Inteligentes"" Fazendo com que o aluno ache que é uma obrigação e perca o interesse, não estou dizendo que todas as escolas fazem isso,por que raramente existem uma ou outra que incentivam a leitura mas isso é raro, a leitura é extremamente importante é faz muito bem uma de suas vantagens é compreender melhor seja qual for o assunto, bom espero que isso algum dia mude nas escolas é os livros leituras virem algo acessivel e que não seja só uma obrigação e sim uma diversão também seja qual for o livro todos nos ensinam algo seja os "" Inteligentes"" Ou os "bobos romances"

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