Tokiwa-so
no Seishun
Crítica
do filme pouco comentado no lado BR, mas
digno de um óscar, de tão sensível aos seus temas e personagens.
Tokiwa-so no
Seishun é um filme japonês de 1996, dirigido por Jun Ichikawa, que
retrata a vida de um grupo de mangakás (artistas de manga) durante os anos 1950
e 1960, período conhecido como a era de ouro dos mangas. O filme é ambientado
no Tokiwa-so, um prédio de apartamentos em Tóquio que se tornou um local
icônico por abrigar muitos dos mais influentes mangakás da história, (hoje reconstruído,
um museu, por se tratar de um prédio histórico no Japão).
O filme nunca saiu no Brasil, ou seja, seu
acesso é difícil e precisei me embrear nas deep da internet pra encontrar,
achei uma versão dele recentemente posta no Youtube com uma legenda feita por
fã, mas parece certa e coerente então meu entendimento do filme pode sim ter
ressalvas, deixa isso bem claro, mas reforço, o que assisti foi incrível, e é
uma pena que com tantas streemings o filme não esteja na integra em absolutamente
nada e quase tão pouco mesmo na pirataria, tamanha obra devia ter mais respeito.
Voltando ao filme, a história segue a vida e
as interações de vários jovens artistas de mangá que residem no Tokiwa-so,
incluindo figuras reais como Osamu Tezuka, conhecido como o "pai do
mangá" e criador de "Astro Boy", Fujio Akatsuka, criador de
"Osomatsu-kun", e Fujiko Fujio, dupla que criou "Doraemon".
O filme explora suas lutas, ambições, rivalidades e a camaradagem que se
desenvolve entre eles enquanto trabalham em suas criações (com um foco maior no
que leva a alcunha Rei dos Mangas Shotaro Ishiomori, dando muito tempo de tela nele e nas suas obras, mostrando o destoante sucesso dele em relação aos seus
companheiros, ainda que igualmente emblemáticos na história).
Osamu Tezuka, um dos pioneiros
do manga e uma figura central no Tokiwa-so, é retratado como uma inspiração
para os outros artistas, com seu talento e visão inovadora, aparecendo em duas
pequenas pontas. O filme foca em mostra como ele era influente nos jovens da
época e acho que o modo que o filme termina com ele vendo o trabalho da galera
e se emocionando da o tom certo pra aquele que poderia roubar o filme, mas não
rouba, pois a intenção é mostra mangakás tão capazes quanto, só na época, pouco
vistos e hoje decentemente marcados na história.
Fujio Akatsuka: Conhecido por
seu humor e estilo satírico, Akatsuka traz um alívio cômico ao grupo e é um dos
residentes mais coloridos do Tokiwa-so. A dupla de
Hiroshi Fujimoto(Fujio Akatsuka) e Motoo Abiko, que trabalham juntos e compartilham um quarto
no Tokiwa-so. Eles eventualmente criam "Doraemon", um dos mangás mais
amados de todos os tempos. O filme explora o fim da dupla, onde um escolhe ir
para as animações e o outro se mantém mangaká.
Jun Ichikawa, conhecido por
seu estilo contemplativo e foco nos detalhes cotidianos, traz uma sensibilidade
única à direção do filme. Ele usa um ritmo calmo e cenas intimistas para
mergulhar o espectador na vida dos artistas, mostrando não apenas seus
sucessos, mas também suas lutas pessoais e profissionais.
O filme é uma celebração da
criatividade e da paixão que impulsionaram a era de ouro do mangá. Ele destaca
a importância do trabalho duro, da colaboração e da amizade no processo
criativo. Além disso, o filme captura a atmosfera dos anos 1950 e 1960 no
Japão, um período de reconstrução e inovação após a Segunda Guerra Mundial.
Tokiwa-so no Seishun não é
apenas um filme sobre artistas de mangá; é um testemunho de um período crucial
na história da cultura pop japonesa. O Tokiwa-so é frequentemente comparado a
outros locais históricos de criação artística, como o estúdio de Walt Disney
nos Estados Unidos, devido ao impacto duradouro que seus residentes tiveram na
indústria do mangá e do anime.
Através de sua narrativa e
personagens, o filme homenageia o espírito inovador e a dedicação desses
pioneiros, oferecendo aos espectadores uma visão íntima de suas vidas e do
mercado da época, logo, tamanha perfeição ainda é longe de erros dando pouco
destaque á uma incrível mangaká.
Uma personagem muito querida, que passa muito
rápido pelo filme é a hideko Mizuno. Aparece levemente no filme, só uma pontinha
pra dizer que não foi esquecida, mas sua importância é gigantesca.
Hideko
Mizuno é uma figura seminal na história do mangá japonês, especialmente
reconhecida por suas contribuições ao gênero shōjo mangá (mangás voltados
principalmente para o público feminino jovem). Sua importância pode ser
compreendida através de vários aspectos.
Hideko
Mizuno é amplamente considerada uma das fundadoras do moderno shōjo mangá.
Durante os anos 1960, ela foi uma das primeiras artistas a trazer uma abordagem
mais madura e complexa para o gênero, que até então era predominantemente
infantil e simples. Sua obra "Fire!" (1969) é especialmente notável
por ser um dos primeiros shōjo mangas a tratar de temas mais adultos, como o
amor, a identidade e a rebeldia.
Mizuno introduziu narrativas
mais elaboradas e emocionais, muitas vezes centradas em personagens femininas
fortes e independentes. Ela explorou temas como a busca de identidade, a luta
pela independência e as complexidades das relações amorosas.
A vida nunca foi fácil pra mulheres e mangakás, imagina uma mangaká mulher, ela foi incrível pra época e ainda hoje continua sendo fonte de inspiração.
As cenas dela no filme são enérgicas
e engraçadas, uma ponta dela rouba cenas dos demais (até do próprio Deus Tezuka),
com poucas falas e gesto que destoam sua personalidade forte e engraçada bem diferente
dos marmanjos na casa. A irmã de Shotaro também tem cenas lindas e uma em particular
que ela comenta estar indo para hospital, onde alguns mais por dentro da
história do Shotaro e da Hideko sabem que ela encontra seu fim.
Filme lindo, tocante, engraçado e sensível, obrigatório
para fãs de mangas. É uma pena não termos ele numa Netflix da vida, de todo
modo vale a pena a conferida, e me sinto grato por ter tido contato com uma
obra que limpa a alma.
tokiwa-so no seishun, filmão
da porra!!
Se você por acaso se interessou aqui abaixo vai o filme para você dar uma olhada.
Juventude na casa dos escritores de mangá
obrigado por ler!